O Livro de Cozinha Druídico

Este texto veio do blog de Nettle, Druid´s Apprentice, e eu o incluo aqui pela profundidade e simplicidade com que ela expôe o mais básico conceito do Druidismo, a saber, a interconexão com tudo o que existe no mundo:

The Executive Pagan, meu companheiro druida-de-cozinha, sugeriu um Livro de Cozinha Druídico. Depois de pensar sobre o que isso implica, eu percebi que na verdade ele seria um tanto curto. Aí vai como Cozinhar Como Um Druida:

Coma tão perto de casa quanto possível. Isso significa plantar a sua própria comida, se puder, e se não, significa comprá-la dos fazendeiros locais. Se não puder fazer isto, aprenda de onde vem a sua comida. Entenda que o supermercado não é a fonte da comida. Entenda que é tudo parte das dádivas da terra. Mantenha uma pilha de adubo, mesmo que seja pequena, para entender de verdade como a sua comida segue ciclos para dentro da terra e de volta dela. Entenda que o excremento também é fertilizante e que não há “excreção”. Medite nisto.

Visite as fazendas onde a sua comida cresce. Olhe a vaca que irá se tornar seu bife bem nos olhos e entenda o antigo sacrifício que fazemos toda vez que consumimos uma criatura que é nossa companheira. Mate, limpe, e coma seu próprio peixe ou caça, pelo menos uma vez, para entender este relacionamento. Crie um animal até a maturidade, e então o abata e coma. Faça isto de modo responsável e humano. Lembre-se do que sentiu nessa ocasião cada vez que preparar um prato de carne, independente de qual a sua origem. Medite nisto, e na complexa dança de morte e vida. Sua vida é um passo desta dança. Lembre que, um dia, você também será comida para alguma outra criatura. Você não pode evitar isso. Saiba que isso é uma boa coisa.

Admire os seus ingredientes. Cheire as especiarias, aprecie a textura da carne fresca, veja a beleza das frutas e vegetais. Note as espirais de Fibonacci nas sua frutas e vegetais. Pesquise este conceito e entenda o que ele significa  em termos de botânica e de geometria sagrada (este é um bom lugar para começar).Medite nisto. Sorria deliciado sempre que encontrar outra espiral de Fibonacci na sua comida. Note os fractais no brócoli e a proporção áurea em sua cenoura.

Experimente. Brinque com a comida. Imagine um sabor, então brinque com os ingredientes até criá-lo. Cozinhar é arte — suas criações merecem ser honradas tanto quanto as de qualquer outro artista. Não tema louvar sua própria habilidade. Coma devagar e com apreciação. Use utensílios de madeira ou osso ou metal, não plástico. Não tema experimentar novos sabores e cozinhar de modos diferentes. Não tema ir “fora da página” e cozinhar algo de um modo que ninguém lhe tenha dito para fazer. Cozinhe para a sua família, cozinhe para seus convidados, e o faça livremente e com amor.

Aprenda o que traz saúde para o seu corpo e o que não traz. Não confie exclusivamente em fontes exteriores para essa informação — o que é bom para uma pessoa pode não o ser para outra. Todos temos necessidades individuais para nossos corpos individuais, e o único modo de aprender estas necessidades é prestando atenção. Preste atenção ao que você come para observar o que faz com que você se sinta vivo e energizado, o que o faz sentir relaxado e saciado, o que o faz sentir enjoado ou preguiçoso. Saiba que o valor da comida para a saúde é mais que a soma de seus nutrientes, e alimente seu corpo, mente e alma com o que precisam e quando precisam.

Perceba que todos os segredos do Universo podem ser encontrados no relacionamento entre aquele que come e o que é comido. Saiba que cozinhar é um caminho para a iluminação tão profundo quanto qualquer outro.

Cozinhe como quem acredita nisso.

(Texto de Nettle (http://nettle.wordpress.com ), postado em 18 de Novembro de 2008, traduzido por Endovelicon em 22 de Novembro de 2008 com permissão da autora. Reprodução permitida para fins não-comerciais APENAS com a permissão escrita da autora e do tradutor, com os devidos créditos e o link para o texto original devendo constar em cada reprodução)

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1 Response so far »

  1. 1

    marciliodiniz said,

    Slania tei!

    Outro texto ótimo! Ainda bem q percebi q não digo besteira quando insito na relação com o q se come quando a própria pessoa planta!

    outro ótimo texto!


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